Saneamento Básico

10.11.2005

Cuide bem do lixo...

Cuide bem do lixo

As prefeituras são responsáveis pelo sistema de limpeza urbana, mas a comunidade e as indústrias têm o dever de colaborar, descartando o lixo que produzem de maneira correta. As dicas para cuidar bem do lixo estão na cartilha Conhecendo e cuidando do lixo, editado pela Conder.

Não jogue lixo nas encostas

Depositar lixo em locais íngremes significa perigo. A vegetação acaba sufocada pelo lixo, perde a capacidade de fixar o solo, causando desmoronamentos, que tantas vezes tem provocando mortes.
Para orientar as prefeituras dos pequenos municípios, que ainda não dispõem de aterro sanitário, a reduzir os impactos ambientais causados pelos lixões, a Conder produziu a o folheto Coloque o Lixo no lugar certo!. Confira onde não depositar o lixo.

O Lixo Urbano – seu companheiro “quase” invisível

Apesar de esquecido e relegado ao anonimato, propositadamente, logo após o seu descarte, o lixo doméstico produzido nos centros urbanos brasileiros, permanece interferindo ativamente em nossas vidas mais do que costumamos imaginar. Quando disposto em áreas a céu aberto e sem a tecnologia adequada, o lixo contamina o solo, a água de lençóis freáticos, atrai uma grande diversidade de insetos e roedores, comprometendo a saúde pública com doenças infecto-contagiosas e possíveis epidemias. Esse quadro acontece na maior parte dos municípios brasileiros e principalmente nordestinos, que se utilizam do conhecido “lixão” para se livrar dos resíduos sólidos produzidos pelas suas populações.

Os “lixões” não possuem as condições e normas mínimas exigidas por um bom controle de saúde pública e preservação ambiental. Na maioria das vezes, esses lixões estão em áreas inadequadas, comprometendo o meio ambiente, onerando a administração do município, contribuindo para o entulhamento e a poluição de cursos d’água, entre outros prejuízos, muitas vezes irreversíveis, atingindo diretamente as suas populações a curto, médio e longo prazos.

Pesquisas do Governo do Estado da Bahia, viabilizadas através de convênio entre a Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR) e a Companhia de Desenvolvimento Urbano da Bahia (Conder) revelam que a participação de cada um de nós é muito mais séria do que normalmente imaginamos, pois cada habitante das cidades de médio e grande porte da Bahia produz cerca de 1,2 quilos de lixo a cada dia. Esse número deve aumentar, pois há dez anos atrás, em 1992, a população da Região Metropolitana de Salvador (RMS), área mais habitada da Bahia por metro quadrado, era formada por cerca de 2,6 milhões de habitantes que produziam 3.156 toneladas de lixo/dia. A previsão é que até o ano 2005, essa população chegue a quase quatro milhões de habitantes, triplicando a sua produção de lixo, e, consequentemente, os problemas que advêm da sua destinação final inadequada.

De acordo com o presidente da Conder, Mário Gordilho, a limpeza urbana é, constitucionalmente, de responsabilidade de cada município, mas diante desse quadro, o Governo da Bahia vem desenvolvendo desde 1991 através da Conder, um conjunto de ações visando a melhoria efetiva das condições sociais e ambientais de cidades baianas de médio e grande porte, com populações que variam de 20 mil habitantes até grandes centros, como Salvador, que detêm mais de dois milhões de habitantes.

O Programa de Destinação Final de Resíduos Sólidos da Conder foi iniciado na RMS, beneficiando diretamente seus dez municípios, com a construção de quatros grandes aterros: Aterro Metropolitano Centro (para as populações de Salvador, Lauro de Freitas e Simões Filho), Aterro Integrado Ponta do Ferrolho (Candeias e São Francisco do Conde), Aterro Integrado Camaçari/Dias D’Ávila (Camaçari e Dias D’Ávila) e Aterro Integrado Ilha (Vera Cruz e Itaparica). Para implantação na RMS o programa contou com financiamento do Banco Mundial e contrapartida do Governo do Estado. Depois disso a Conder construiu mais 12 aterros sanitários, geralmente de uso compartilhado por dois ou três municípios.

“O aterro sanitário difere substancialmente do lixão, já que o aterro é um equipamento construído com tecnologia adequada especialmente para o recebimento de resíduos sólidos”, informa Mário Gordilho. Os aterros são construídos em sistema de células, escavadas no solo como valas em forma retangular e recobertas posteriormente com uma manta de Polietileno de Alta Densidade (PEAD) e camadas de argila, o que impede a contaminação do solo pelo líquido percolado produzido pelo lixo, mais conhecido como “chorume”. O sistema de manta protetora e de condutores subterrâneos agiliza e direciona a coleta do chorume para lagoas artificiais de tratamento, e posterior liberação sem nenhum risco ao meio-ambiente. As células destinadas à disposição do lixo, ocupam geralmente as cumeadas dos terrenos escolhidos em forma de platôs, sendo sempre recobertas por novas camadas de argila para evitar a exposição do lixo e o conseqüente atrativo para urubus, roedores e insetos. As áreas escolhidas para a implantação dos aterros são sempre submetidas a Estudos e Relatórios de Impactos Ambientais (EIA-RIMA) promovidos pela Conder, apresentados posteriormente às comunidades envolvidas, analisados e aprovados pelo Conselho Estadual do Meio Ambiente (Cepram).

Atualmente a Conder já contabiliza a construção de 16 aterros sanitários em toda a Bahia, geralmente utilizados em regime de compartilhamento entre municípios próximos. “Esses aterros já beneficiam a uma população estimada em mais de 3,5 milhões de pessoas”, ressalta o presidente da Conder. Os dados provam a melhora efetiva da qualidade de vida da população da RMS após a interferência da Conder com os programas de resíduos sólidos. Há dez anos, em 1992, 76,17% dos resíduos sólidos produzidos na RMS tinham destinação final imprópria, inadequada e com sinais de degradação, enquanto apenas 15,18% encontravam destinação própria operando adequadamente. “Hoje, 95% do lixo produzido na RMS pode ter uma destinação final adequada e segura”, esclarece Gordilho.

Além do programa implantado nos dez municípios da RMS que contaram com recursos do Banco Mundial e contrapartida do Tesouro Estadual, foram construídos, através do programa Pró-Saneamento da Caixa Econômica Federal, aterros sanitários para os municípios de Alagoinhas, Catu, Mata de São João, Pojuca, Itapetinga, Cravolândia, Jaguaquara, Jequié, Muniz Ferreira, Nazaré, Santo Antônio de Jesus e Teixeira de Freitas. Através do Programa de Desenvolvimento Urbano (Produr) foram viabilizados recursos do Banco Mundial, com contrapartida estadual, e construídos aterros para Porto Seguro e Santa Cruz de Cabrália. A Conder construiu ainda aterros para atender as populações de Cachoeira, Muritiba, São Félix, Governador Mangabeira e Santo Amaro, integrando as ações de resíduos sólidos do Programa de Despoluição da Baía de Todos os Santos (BTS), e contando com recursos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e contrapartida estadual.

O programa da Conder inclui ainda, a aquisição e repasse de equipamentos para as prefeituras municipais, como tratores, pás-carregadeiras, caçambas, retro-escavadeiras, caminhões coletores, containers, entre outros itens operacionais. Foram elaborados Planos Diretores de Limpeza Urbana (PDLU) para os municípios beneficiados, visando garantir a implantação de sistemas adequados de coleta, varrição e destinação final do lixo produzido. Paralelamente, foram implementadas ações de Capacitação de Recursos Humanos e Treinamentos com funcionários e agentes municipais envolvidos nos sistemas de limpeza urbana de cada município, assim como, amplos programas de Educação Sanitária e Ambiental que atingem diversos segmentos das populações metropolitanas, através de escolas, associações comunitárias, empresários, comerciantes, entre outras representações da sociedade civil. As ações de resíduos sólidos da Conder têm reconhecimento nacional e já receberam duas vezes o Prêmio Top de Ecologia da Associação dos Dirigentes de Marketing e Vendas do Brasil (ADVB), na categoria Ecologia, tornando-se a primeira empresa do setor público em todo o país a receber tal premiação e concorrendo com grandes empresas do setor, como a Philip Morris do Brasil, O Boticário, a Gessy Lever, entre outras.

“Temos a instrução expressa do governador Otto Alencar, para que a Conder passe a atender também as cidades de pequeno porte, com menos de 20 mil habitantes, já que 87% dos municípios baianos detêm população abaixo desse limite”, informa o presidente da Conder, Mário Gordilho. Esses municípios têm uma geração de lixo pequena, não demandando soluções tecnológicas e gerenciais sofisticadas e muito caras para a destinação do lixo. A sugestão é adotar modelos de aterros simplificados e de baixo custo de implantação e operação. A experiência de aterros simplificados já vem sendo adotada em outros países como Colômbia, Peru e Cuba para citar exemplos da América Latina e já, bem recentemente, despertou o interesse do Ministério do Meio Ambiente que tem reunido câmaras técnicas especializadas para a discussão e a normatização do tema.

1 Comments:

  • ESTE TRABALHO NESTE BLOG É BASTANTE IMPORTANTE PARA QUE SE PREOCUPA E DEFENDE O MEIO AMBIENTE.
    VALEU.

    PROF. JOÃO CORREIA

    By Blogger PROF°. JOÃO CORREIA, at 8:00 PM  

Postar um comentário

<< Home